Reflexões a cerca das aglomerações em meio a pandemia do covid-19
NEGAÇÃO DA MORTE COMO PRINCÍPIO DE FRUIÇÃO DA VIDA
Olá, eu estava muito reflexiva a cerca do que eu tenho observado quanto o comportamento das pessoas durante o período da Pandemia em 2021. Como todos sabem, temos vacina mas não temos vacinação para todos ainda, por isso prevalecem as recomendações de proteção do covid-19 que já estamos habituados (ou deveríamos) como álcool em gel, máscaras, distanciamento social etc.
Eu trabalho numa grande operadora de saúde e todos os dias recebemos casos e mais casos da doença e me preocupa muito saber que as pessoas não estão tão conscientizadas do perigo que é essa doença. Então busquei auxilio na Psicologia a cerca do comportamento das pessoas durante a pandemia e encontrei um texto muito esclarecedor do psicanalista Gerson Smiech Pinho ( Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa) e do Centro Lydia Coriat, doutor em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS) que fala sobre "Negação da morte como princípio de fruição da vida explica as aglomerações em meio à pandemia". E lendo o texto eu pude entender melhor o comportamento das pessoas que insistem em aglomerar e descumprir tais orientações, trago alguns alguns trechos para nossa ponderação sobre o tema.
Segundo Roséli Cabistani, "somos capturados pela correnteza de tempos tão peculiares, carentes de noção sobre o futuro imediato, ficamos facilmente perdidos a respeito de quais referências tomar para nos orientar".
TEXTOS FREUDIANOS
"Sigmund Freud escreveu um texto em que trata do modo como encaramos a morte, intitulado Considerações Atuais Sobre a Guerra e a Morte.
Ainda que a morte seja um evento natural e incontestável, visto que constitui o desfecho inevitável de qualquer forma de vida, em nosso dia a dia manifestamos a propensão de colocá-la de lado, de esquecer sua presença peremptória".
"Atravessamos nossas vidas ignorando a ideia de nossa própria morte, acalentando uma espécie de fantasia de imortalidade".
"Essa tendência de excluir a morte dos cálculos da vida é posta em xeque quando perdemos alguém, principalmente uma pessoa com quem temos fortes laços de afeto.
A possibilidade de admitir a morte de outrem, de inscrever sua perda em nossa existência, constitui o que é próprio ao trabalho de luto".
O ATUAL TEMPO DE PANDEMIA TEM ALTERADO O TRATAMENTO HABITUAL QUE DAMOS Á MORTE
"Não é possível negá-la ou esquecê-la provisoriamente, na medida em que as pessoas não estão morrendo isoladamente, mas em grande número, milhares em um único dia, por uma mesma razão".
- Se esses fatos perturbam nossa relação costumeira com a morte, tudo indica que a tendência a mantê-la a distância persiste.
- Habituamo-nos a cifras de mortos cuja impessoalidade faz com que aparentem não representar aquilo que verdadeiramente retratam.
PARAFRASEANDO FREUD
Nossa predisposição é não levar em conta a morte, nem nossa própria, nem a do outro.
A SENSAÇÃO DO FIM DA PANDEMIA
"A sensação de que a vida se encaminha à normalidade, mesmo que nada saibamos sobre como o contexto atual irá evoluir, podem ser consideradas formas de expressão dessa tendência".
OUTRA INTERPRETAÇÃO
"Deixar-se tocar pela morte de nossos semelhantes, ainda que não os conheçamos, pode ser um elemento importante na difícil tarefa de encontrar caminhos pelos quais transitar nesse momento".
NO FINAL DAS CONTAS
"A tristeza por tantas vidas perdidas coloca em relevo os laços de responsabilidade que nos ligam uns aos outros na constituição da vida social, base de um sentimento de coletividade, contrário ao individualismo.
Sendo assim, a experiência coletiva de luto por nossos mortos pode ser um elemento fundamental para navegar por esse tempo tão particular, cujo desfecho ainda nada se sabe".
https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2020/10/negacao-da-morte-como-principio-de-fruicao-da-vida-explica-as-aglomeracoes-em-meio-a-pandemia-afirma-psicanalista-ckg9f17o3000o015xzuuydgrm.html




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